Ando sempre com um caderno e estojo na carteira. Gosto de rabiscar e se fico muito tempo parada e com as mãos desocupadas começo sou assolada por um nervoso miudinho. Rabisco e passa a neura. O chato é que sempre que tenho um qualquer desejo ou laivo de inspiração literária,...nunca tenho onde o registar. E o telemóvel não vale. Não é nada a mesma coisa. No telemóvel escrevo apenas coisas factuais, não pensamentos. Há algo de mágico no acto de escrever, apertando a caneta furiosamente e inundando folhas nuas com letras, frases, textos, emoções. Quantas vezes rabisquei por detrás das senhas do autocarro, nos guardanapos de papel, nos comprovativos do multibamco, nos envelopes rasgados, na contracapa de livros e revistas. E quantas vezes perdi esses textos, pequenas mensagens, desabafos ou recordações, amarrotados num canto qualquer.
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