Espanta-me que tanto se fale em austeridade e em medidas urgentes de poupança quando não se vislumbra nenhum programa político para a criação de emprego. Nenhum. Existem medidas de apoio ao desemprego para jovens até aos 25 anos de idade mas...e todos os outros? E quem diz jovens diz menos jovens. Que a idade é apenas uma questão de atitude perante a vida.
Outra coisa que acho graça é este crescendo fervoroso sobre o empreendedorismo. 'Bora lá de criar empresas. E até se faz tudo agora em poucos minutos numa qualquer loja do cidadão. Com toda a propaganda associada a este fenómeno não tarda e teremos cada vez mais gente no desemprego e mais gente desesperançada. É certo que nem todos temos esta veia de empreendores, e mesmo que a tivessemos é preciso ter (à falta de uma ideia bem original e lucrativa) algum capital. Acho graça às crónicas do Expresso a este respeito. Se repararem, os valores iniciais de investimento até de simples lojas de animais ou outras rondam os 50.000€ (!!!). Obviamente que poucas serão as pessoas a terem este montante e muitas serão as que pedem empréstimos para financiar estas recém-criadas empresas. Muito bem. Eu acho excelente, a sério. Sou realmente a favor. Mas atenção, porque com a actual situação de instabilidade económica e financeira não estaremos a iludir estes jovens empreendedores. Li uns artigos que falavam sobre a pouca duração destas empresas, uma média de 2-3 anos. Depois fechavam por falta de liquidez. E ainda há quem recorra a empréstimos de amigos, ajudas de familiares, segundos empregos. Deve ser realmente muitíssimo complicado manter uma nova empresa em Portugal. Porque criar é fácil. Falo por experiência própria. No passado também eu tive essa mesma ideia. Procurei o Centro de Emprego da minha residência, expus a minha ideia de negócio e assisti a umas sessões de esclareciemnto para criar um business plan. Muito lindo, sim senhora. Saberia o mesmo se tivesse comprado um qualquer livro sobre o assunto. A mim e a outros que lá estavam não foi dito mais nada. A atenção era dada essencialmente a quem já tinha capital para investir. Quem não tinha ficava ali a olhar para as paredes. Um técnico do IEFP, perante as dúvidas que eu colocava, chegou a dizer-me:
"- Agora também não quer que eu lhe diga o que deve fazer pois não?"
Mas sobre a arrogância e estupidez destes funcionários públicos muito havia para dizer. Abstenho-me hoje de o fazer para não ficar ainda mais mal-disposta.
Por isso, em vez de andarem agora entretidos a falar sobre mais medidas de flexibilização do trabalho (vulgo mais facilidades para despedir), e a incentivar à criação de empresas por parte dos desempregados, criem, isso sim, mais empregos, invistam nas empresas, apoiem as pme's, facilitem a contratação, dimimuam os tectos salariais dos grandes executivos que ganham rios de dinheiro, em vez de diminuirem o salário minímo.
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