Mas sinto que o desemprego afasta-me das relações humanas. Quando estou a trabalhar sinto que pertenço à comunidade. Assim, não. Desapego e desalento é tudo o que abraço ultimamente.
19/02/12
17/02/12
Da mãe
Tenho andado adoentada e algo deprimida também. A relação com a minha mãe sempre foi muito complicada. E agora que regressei a casa é um inferno. Não preciso ter apenas uma paciência infinita mas tenho que saber filtrar 90% do que ela me diz. Está constantemente a atirar-me à cara os erros do passado e as minhas falhas. Sinto-me muito em baixo, triste, angustiada, revoltada por ter perdido o meu emprego e pela incerteza de cada novo dia.
- É insuportável...
15/02/12
Criem empregos, não empresários
Espanta-me que tanto se fale em austeridade e em medidas urgentes de poupança quando não se vislumbra nenhum programa político para a criação de emprego. Nenhum. Existem medidas de apoio ao desemprego para jovens até aos 25 anos de idade mas...e todos os outros? E quem diz jovens diz menos jovens. Que a idade é apenas uma questão de atitude perante a vida.
Outra coisa que acho graça é este crescendo fervoroso sobre o empreendedorismo. 'Bora lá de criar empresas. E até se faz tudo agora em poucos minutos numa qualquer loja do cidadão. Com toda a propaganda associada a este fenómeno não tarda e teremos cada vez mais gente no desemprego e mais gente desesperançada. É certo que nem todos temos esta veia de empreendores, e mesmo que a tivessemos é preciso ter (à falta de uma ideia bem original e lucrativa) algum capital. Acho graça às crónicas do Expresso a este respeito. Se repararem, os valores iniciais de investimento até de simples lojas de animais ou outras rondam os 50.000€ (!!!). Obviamente que poucas serão as pessoas a terem este montante e muitas serão as que pedem empréstimos para financiar estas recém-criadas empresas. Muito bem. Eu acho excelente, a sério. Sou realmente a favor. Mas atenção, porque com a actual situação de instabilidade económica e financeira não estaremos a iludir estes jovens empreendedores. Li uns artigos que falavam sobre a pouca duração destas empresas, uma média de 2-3 anos. Depois fechavam por falta de liquidez. E ainda há quem recorra a empréstimos de amigos, ajudas de familiares, segundos empregos. Deve ser realmente muitíssimo complicado manter uma nova empresa em Portugal. Porque criar é fácil. Falo por experiência própria. No passado também eu tive essa mesma ideia. Procurei o Centro de Emprego da minha residência, expus a minha ideia de negócio e assisti a umas sessões de esclareciemnto para criar um business plan. Muito lindo, sim senhora. Saberia o mesmo se tivesse comprado um qualquer livro sobre o assunto. A mim e a outros que lá estavam não foi dito mais nada. A atenção era dada essencialmente a quem já tinha capital para investir. Quem não tinha ficava ali a olhar para as paredes. Um técnico do IEFP, perante as dúvidas que eu colocava, chegou a dizer-me:
"- Agora também não quer que eu lhe diga o que deve fazer pois não?"
Mas sobre a arrogância e estupidez destes funcionários públicos muito havia para dizer. Abstenho-me hoje de o fazer para não ficar ainda mais mal-disposta.
Por isso, em vez de andarem agora entretidos a falar sobre mais medidas de flexibilização do trabalho (vulgo mais facilidades para despedir), e a incentivar à criação de empresas por parte dos desempregados, criem, isso sim, mais empregos, invistam nas empresas, apoiem as pme's, facilitem a contratação, dimimuam os tectos salariais dos grandes executivos que ganham rios de dinheiro, em vez de diminuirem o salário minímo.
14/02/12
Escrevinhar
Ando sempre com um caderno e estojo na carteira. Gosto de rabiscar e se fico muito tempo parada e com as mãos desocupadas começo sou assolada por um nervoso miudinho. Rabisco e passa a neura. O chato é que sempre que tenho um qualquer desejo ou laivo de inspiração literária,...nunca tenho onde o registar. E o telemóvel não vale. Não é nada a mesma coisa. No telemóvel escrevo apenas coisas factuais, não pensamentos. Há algo de mágico no acto de escrever, apertando a caneta furiosamente e inundando folhas nuas com letras, frases, textos, emoções. Quantas vezes rabisquei por detrás das senhas do autocarro, nos guardanapos de papel, nos comprovativos do multibamco, nos envelopes rasgados, na contracapa de livros e revistas. E quantas vezes perdi esses textos, pequenas mensagens, desabafos ou recordações, amarrotados num canto qualquer.
Castigada
Por assim dizer. Andava a vangloriar-me de ainda não ter sido atacada pelo vírus da gripe há um bom par de anos et voílà. Estou de cama, com pingo no nariz (que mais parece uma torneira), cheia de frio apesar dos kilos de cobertores que tenho por cima (que mal me dão para mexer) e com uma dor de cabeça descomunal.
- Eu e a minha grande boca. Atchiiiim!
13/02/12
Previsão
Apesar do dia quase primaveril, com um céu azul lindíssimo, prevejo um dia de cão. Sim. Tenho plena consciência de que há quem esteja muito (muito) pior. Mas se este dia já é particularmente aborrecido nos restantes dias, agora que estou desempregada então nem se fala.
12/02/12
Dos anúncios de hoje
Não consegui seleccionar nem um. Frustrante. Pensava que nesta altura do ano ainda existiriam ofertas. Ganhei entretanto uma pequena aversão a todo o tipo de anúncios para vendedores (Remax), vendedores em geral (muitas vezes camulflados por detrás de "agentes comerciais", "gerentes", "gestores de clientes") vai dar tudo ao mesmo. Anúncios para empregadas domésticas internas também proliferam assim como para ladrilhadores, bate-chapas e para construtores civis em França. Sucedem-se as senhoras ditas sérias que oferecem os seus serviços invariavelmente para cuidar de idosos "preferencialemente não acamados", para "damas de companhia", e outras actividades do género.
Apesar dos esforços para se imporem as regras do uso M/F continuam a aparecer pedidos de por exemplo, "Administrativas M/F.....Empresa contrata rapaz dos..." (?).
Isto nas edições impressas. Nos sites de emprego online o que mais vejo é a publicidade à Avon - quer ser revendedora Avon? {sim, claro que sim, como é que ainda não tinha pensado nisso?}. E quem diz Avon, diz Oriflame. Mas os anúncios mesmo maus são os que oferecem 987.676.999€ de ordenado anual bruto mais prémios e comissões, e mais! Tudo sem sair do conforto da sua casa. Ainda haverá quem caia nestes engodos?
- Bem lá vou eu ver se ainda consigo catar pelo menos uma oferta senão acho que nem vou dormir em paz.
11/02/12
Candidaturas
E acabei agora de enviar mais uns currículos. Coisa pouca, meia dúzia deles, mas é melhor do que nada. Com esperança que amanhã apareçam mais anúncios.
10/02/12
Eremita
É no que me irei tornar se continuar a recusar convites dos amigos para sair. Esta semana recusei dois. Um simples café, uma conversa. Recusei. Deixei a empresa esta semana por isso ainda sinto que é tudo muito recente. A dor continua embora a tente abafar para não me tornar insuportável a quem comigo convive. À noite sou assolada por breves instantes de ataques de pânico. Gemo sozinha, no silêncio do meu quarto. Só penso "O que irei fazer agora?" e viro-me de um lado para o outro na cama. Tenho andado pela casa de fato de treino (que figura...). Um contraste enorme para a indumentária que envergava no meu dia-a-dia. Vejo-me ao espelho e desvio o olhar. Estou muito triste. E não quero que me vejam assim. Mesmo os meus amigos.
09/02/12
O que fica do que foi
E por muito triste que hoje esteja sei que valeu a pena. Valeu a pena ter trabalhado naquela empresa. Valeu a pena ter acordado cedíssimo todos os dias. Valeu a pena vestir a camisola.
Restam as amizades que felizmente sempre soube cultivar. O conhecimento que nunca é demais e a experiência que se adquire. Restam as boas recordações sobretudo. Tudo o resto passará.
- So I hope.
1
Este é o meu primeiro post. O primeiro de muitos espero. Estou a iniciar um blog pela simples razão de ter perdido o meu emprego e de necessitar de um lugar onde possa partihar as minhas experiências.
Subscrever:
Comentários (Atom)
